Éderson leva Mato Grosso do Sul e a força do povo Terena para a Seleção Brasileira

 A convocação de Éderson para a Seleção Brasileira vai muito além do futebol. Para Mato Grosso do Sul, ela representa um momento histórico: depois de 32 anos, um atleta nascido no Estado volta a integrar o elenco brasileiro em uma Copa do Mundo. Mas a história do volante da Atalanta, da Itália, carrega um significado ainda maior — suas raízes indígenas do povo Terena.  

Foto: A Princesinha News


Natural de Campo Grande, Éderson dos Santos nasceu longe dos grandes centros do futebol brasileiro. Antes de conquistar a Europa e vestir a camisa amarela, ele deu os primeiros passos em escolinhas da capital sul-mato-grossense, especialmente no Instituto Bola de Ouro, onde treinou durante a infância.  


Sangue Terena nas veias


O que muitos brasileiros ainda estão descobrindo é que Éderson possui origem indígena Terena, um dos povos mais importantes de Mato Grosso do Sul.

Foto: Arquivo Pessoal



Sua família tem ligação direta com a Aldeia Bananal, localizada na região de Taunay, em Aquidauana. A avó do jogador pertence à comunidade indígena e, mesmo após alcançar fama internacional, o volante nunca rompeu os laços com suas origens.  


Em visitas recentes às aldeias da região, Éderson reencontrou familiares, participou de momentos tradicionais e recebeu homenagens da comunidade. Um dos episódios mais marcantes ocorreu quando sua avó, conhecida entre os Terena como Árunoe, realizou uma bênção tradicional indígena durante sua visita à Terra Indígena Taunay-Ipegue.  


Da periferia de Campo Grande para a elite da Europa


A trajetória do sul-mato-grossense foi construída passo a passo.


Foto: REUTERS/Manon Cruz



Após passar pelo Desportivo Brasil, ganhou destaque nacional no Cruzeiro. Posteriormente atuou por Corinthians e Fortaleza, até chamar atenção do futebol europeu. Em 2022 foi contratado pela Atalanta, onde se consolidou como um dos melhores meio-campistas do Campeonato Italiano e conquistou a Europa League.  


Suas atuações consistentes fizeram com que o técnico Carlo Ancelotti o mantivesse no radar da Seleção Brasileira. A oportunidade definitiva veio após uma alteração no grupo convocado para a Copa do Mundo de 2026.  


Orgulho para Mato Grosso do Sul


A convocação possui um peso simbólico enorme para o Estado.


Foto: Reprodução/ Redes Sociais



Durante décadas, Mato Grosso do Sul produziu atletas talentosos, mas poucos chegaram ao principal palco do futebol mundial. Antes de Éderson, o nome mais lembrado era o de Müller, também nascido em Campo Grande, mas ainda antes da divisão do antigo Mato Grosso.  


Agora, pela primeira vez, um jogador nascido no Mato Grosso do Sul moderno chega ao Mundial carregando não apenas a bandeira do Estado, mas também a representatividade dos povos indígenas sul-mato-grossenses.  


Muito além da convocação


Num país onde os povos indígenas frequentemente aparecem nas manchetes apenas em meio a conflitos e disputas territoriais, a presença de Éderson na Seleção Brasileira oferece outra narrativa: a de um jovem indígena que saiu do interior do Centro-Oeste, alcançou o futebol europeu e chegou à principal vitrine esportiva do planeta.


Quando entrar em campo vestindo a camisa da Seleção, Éderson não representará apenas o Brasil. Representará também Campo Grande, Aquidauana, as aldeias Terena e milhares de jovens sul-mato-grossenses que sonham em vencer sem esquecer de onde vieram.  

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