Maracaju hoje está mais pesada. A cidade que aprendeu a reconhecer o judô não só como esporte, mas como escola de caráter, perdeu nesta terça-feira (22) o Sensei Roger Augusto Ziemann, irmão do vereador Robert Gustavo Ziemann.
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| Foto: Reprodução/Redes Sociais |
A família comunicou o falecimento nas redes sociais. Depois de dias de cuidados, esperança e uma corrente de oração que atravessou Maracaju, Campo Grande e o tatame de tantas academias, Roger descansou. O irmão Robert, ao lado de toda a família, pediu força, consolo e serenidade — e agradeceu cada mensagem, cada visita e cada prece que sustentou a casa nos momentos mais duros.
O irmão que plantou o tatame
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Antes de haver mandato, projeto social com nome institucional ou Circuito Estadual lotando a Arena Maracaju, havia um jovem professor e uma varanda de escola. Foi ali, em 1999, que Roger começou o que viria a se chamar Projeto Judô Para Todos. Robert nunca escondeu a origem da própria trajetória pública: “Minha trajetória foi iniciada com o Projeto do Judô.” E o projeto, ele mesmo recordou em entrevista, nasceu das mãos do irmão.
Roger não era apenas o Sensei da família. Era o incentivador constante, o parceiro de causa, o homem que transformava disciplina em afeto e o quimono em instrumento de cidadania. Enquanto Robert levava o esporte e a inclusão para a tribuna, para a Federação de Judô de Mato Grosso do Sul — da qual é vice-presidente — e para o mandato, Roger permanecia no chão do dojo: corrigindo a queda, ensinando o respeito ao adversário, formando alunos que depois se tornariam professores.
| Foto: Reprodução/Redes Sociais |
Em 2014, o trabalho ganhou novos braços com o Instituto Pequeno Cidadão, criado para ampliar o que o judô já fazia há 15 anos. Roger Augusto Ziemann passou a assinar como professor e coordenador de judô. Crislaine Pereira Ziemann, esposa de Robert, assumiu a direção-geral. O que começou numa varanda chegou a Maracaju, Sidrolândia e Rio Brilhante, com aulas gratuitas de judô, música, ballet, reforço escolar e esporte para centenas de crianças, adolescentes e adultos — mais de 450 atendidos, segundo a própria família.
A Copa Judô Para Todos, que ele organizava e da qual falava com o orgulho sereno de quem vê o fruto crescer, atravessou duas décadas. Em 2022, na 21ª edição, o Sensei explicava o que o tatame significava para ele: o judô trabalha o corpo e a mente, ensina a respeitar, a obedecer, a controlar o impulso e a manter a calma. “O esporte deve sempre ser prazeroso.”
Família, fé e o pai de coração
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Filho de Anísio Ziemann — advogado, ex-presidente da Subseção da OAB em Maracaju, falecido em 2023 — e de Maria Helena Ziemann, Roger fazia parte de uma irmandade de quatro: Roger, Helen, Carlos e Robert. Cresceram em Maracaju, cidade que o pai e a mãe ensinaram a servir.
Na nota da família, o retrato é completo e sem adorno: irmão, esposo, pai de coração, tio, Sensei, professor, amigo e referência. “Pai de coração” diz muito. Diz de quem acolheu, criou, orientou e amou para além do sangue. Diz de um homem que mediou a vida pelo exemplo, não pelo discurso.
Nos últimos meses, a cidade acompanhou de perto a batalha pela saúde. Em maio, Robert atualizou os amigos: o irmão estava em Campo Grande, o coração inchado, a pressão baixa, a recuperação lenta. A ressonância não apontava gravidade maior, e havia esperança de alta. A equipe Viva Vida e dezenas de mensagens pediram que o tatame o esperasse. O tatame esperou. O corpo, desta vez, não aguentou.
O legado que não se enterra
| Foto: Reprodução/Redes Sociais |
Maracaju não perde só o irmão de um vereador. Perde o Sensei que formou gerações, o organizador que insistiu que o judô sul-mato-grossense cabia numa cidade do interior, o irmão que empurrou Robert para o serviço público a partir de um projeto social — e nunca deixou de ser o primeiro a apoiar, o primeiro a cobrar excelência no tatame, o primeiro a celebrar cada faixa conquistada por um aluno.
As informações sobre velório e sepultamento serão divulgadas pela família assim que definidas. Até lá, o pedido é o mesmo da nota: que se continue orando pela família, para que Deus conceda força e serenidade nesta despedida.
Que Roger Augusto Ziemann descanse em paz. Que o legado permaneça vivo em cada criança que veste o quimono no Instituto Pequeno Cidadão, em cada atleta que sobe no Circuito Estadual e em cada gesto de Robert que ainda carrega, na política e na vida, a semente que o irmão plantou numa varanda de escola, há 27 anos.
Obrigado, Sensei. Maracaju não esquece.

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