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De radialista consagrado a prefeito, impeachment e prisão: a trajetória de Alcides Bernal

13/07/26

/ por MS na Tela

 Alcides Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na Santa Casa de Campo Grande, onde estava internado sob escolta policial após passar mal enquanto cumpria prisão preventiva no Presídio Militar Estadual. A morte encerra uma das trajetórias mais marcantes e controversas da política de Mato Grosso do Sul. 

Foto: Clara Farias


Quem foi Alcides Bernal

Natural de Corumbá, Bernal era advogado, mas ganhou notoriedade como radialista. Durante anos, comandou programas de rádio voltados à prestação de serviços e denúncias, conquistando grande popularidade em Campo Grande com um estilo direto e de forte apelo popular. Essa visibilidade foi a base para sua entrada na política. 

Foto: Midiamax


A ascensão à política

Impulsionado pelo reconhecimento conquistado nos microfones, foi eleito vereador por dois mandatos e, posteriormente, deputado estadual. Em 2012, protagonizou uma das maiores surpresas da política sul-mato-grossense ao vencer a eleição para prefeito de Campo Grande, encerrando um longo ciclo de domínio do grupo político que administrava a Capital. 

Foto: Arquivo/Hélder Rafael/g1 MS


O impeachment e a volta ao cargo

A gestão foi marcada por constantes conflitos com a Câmara Municipal. Em março de 2014, Bernal tornou-se o primeiro prefeito da história de Campo Grande a perder o mandato por impeachment, acusado de irregularidades administrativas.

Foto: ALMS


A disputa, porém, continuou nos tribunais. Após uma série de decisões judiciais, ele foi reconduzido ao cargo em agosto de 2015 e permaneceu na Prefeitura até o fim do mandato, em dezembro de 2016. 

O afastamento da vida política

Após deixar a Prefeitura, Bernal disputou novas eleições, mas não conseguiu recuperar o protagonismo político que havia alcançado no início da década passada. Aos poucos, passou a aparecer com menos frequência no cenário político estadual.

O processo por homicídio

Em março de 2026, seu nome voltou ao centro das manchetes após a morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini.

Segundo a investigação, Mazzini havia adquirido, em leilão judicial, um imóvel que pertencia a Bernal e foi ao local para tomar posse da residência quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Bernal apresentou-se à polícia logo após o ocorrido, foi preso em flagrante e posteriormente tornou-se réu pelo homicídio, com a Justiça determinando que o caso fosse submetido a júri popular. A defesa sustentava que ele agiu em legítima defesa. 

Os últimos dias

No início de julho, Bernal sofreu um infarto enquanto estava no Presídio Militar e foi levado à Santa Casa, onde passou por cateterismo e outros procedimentos cardíacos.

Após receber alta, retornou ao presídio, mas voltou a passar mal dois dias depois, sendo novamente encaminhado ao hospital. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), passou por uma nova cirurgia, mas não resistiu às complicações cardíacas e morreu na madrugada desta segunda-feira (13). 

Um legado de altos e baixos

Da popularidade conquistada no rádio à vitória histórica nas urnas, passando pelo impeachment, pela volta ao comando da Prefeitura e pelo processo criminal que marcou seus últimos meses de vida, Alcides Bernal deixa uma trajetória repleta de episódios que influenciaram a história política de Campo Grande.

Sua carreira foi marcada por conquistas expressivas, intensos embates políticos e controvérsias que fizeram dele uma das figuras públicas mais conhecidas e debatidas de Mato Grosso do Sul nas últimas décadas.


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